sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Os cinco Skandha (agregados ou elementos)



1º Skandha – Criação da Ignorância-Forma, três aspectos ou fases diferentes que podemos examinar empregando outra metáfora. Suponhamos que, no princípio, haja uma planície aberta sem montanhas nem árvores, uma terra completamente aberta, um simples deserto sem nenhuma característica especial. Eis aí como somos, o que somos. Somos simples e básicos. E, todavia, há um Sol que brilha, uma Lua que brilha, e haverá luzes e cores, a textura do deserto. Haverá alguma sensação da energia que brinca entre o Céu e a Terra. E, assim por diante, indefinidamente.

Depois, estranhamente, surge de improviso, alguém para notar tudo isso. Como se um dos grãos da areia espichasse o pescoço para fora e principiasse a olhar à sua volta. Nós somos o grão de areia, chegando a conclusão do nosso estado de separação. Este é o “Nascimento da Ignorância” em seu primeiro estágio, uma espécie de reação química. A dualidade começou.

A segunda fase da Forma-Ignorância dá-se o nome de “A Ignorância Nascida no Interior”. Tendo reparado que somos isolados, sobrevém a sensação de que sempre fomos assim. É uma inépcia, o instinto da constrangedora consciência e si mesmo.

O terceiro tipo é a “Ignorância que se Observa”, que se vigia. Há um sentido de nos vermos como objeto externo, o que conduz à primeira noção do “outro”. Estamos começando a relacionar-se com um mundo chamado “externo”. É por isso que os três estágios da ignorância constituem o Skandha da Forma-Ignorância; estamos começando a criar o mundo das formas.

2º Skandha – Sensação, como mecanismo de defesa para proteger a nossa ignorância. Desde que já ignoramos o espaço aberto, gostaríamos de sentir as qualidades do espaço sólido a fim de trazer completa satisfação à índole gananciosa que estamos desenvolvendo. Nós solidificamos todo o espaço e transformamos no “outro”.

3º Skandha – Percepção-Impulso, passamos a nos fascinar pela nossa própria criação, cores e as energias estáticas, queremos nos relacionar com elas e, dessa maneira, gradativamente, principiamos a investigá-las. São esses os três tipos de impulso: ódio, desejo e estupidez. Assim sendo, a percepção se refere à recepção de informações do mundo exterior e o impulso se refere à nossa resposta a essas informações.

4º Skandha – Conceito; A fim de proteger-nos e enganar-nos completa e adequadamente, precisamos do intelecto, da capacidade de nomear e categorizar as coisas. Assim rotulamos coisas e eventos qualificando-os “bons”, “maus”, “belos”, “feios”, etc., de acordo com o impulso que julgamos apropriados a eles. O “eu” é o produto do intelecto, o rótulo que unifica num todo o desenvolvimento desorganizado e desperso do ego.

5º Skandha – Consciência; Nesse nível se processa uma amálgama: a inteligência intuitiva do Segundo Skandha, a energia do Terceiro Skandha e a intelectualização do Quarto Skandha se misturam para produzir pensamentos e emoções. Nessas condições, no nível do Quinto Skandha, encontramos os Seis Reinos assim como padrões incontroláveis e ilógicos do pensamento discursivo.

Esse é o retrato completo do ego.

(Livro-texto: Além do materialismo Espiritual, Lama Chogyan Trungpa)

Desenvolvimento do Ego




Há uma metáfora na literatura budista comumente empregada para descrever todo o processo, criação e desenvolvimento do ego. Refere-se a um macaco encerrado numa casa vazia, uma casa de cinco janelas, que representam os cinco sentidos. O macaco é curioso, vive enfiando a cabeça pelas cinco janelas e pulando para cima e para baixo, sem parar. É um macaco cativo numa casa vazia. Uma casa sólida, diferente da mata em que ele costumava saltar e balançar-se, diferente das árvores em que escutava o vento que se movia e o farfalhar das folhas e dos galhos. Todas essas coisas se tornaram completamente solidificadas. De fato, a própria mata passou a ser a sua casa sólida, a sua prisão. Em lugar de encarapitar-se numa árvore, o macaco curioso foi emparedado por um mundo sólido, como se uma coisa que flui, uma impressionante catarata, se houvesse de repente, congelado. A casa congelada, feita de cores e energias congeladas, está completamente imóvel. Esse parece ser o ponto em que o tempo começa como passado, futuro e presente. O fluxo das coisas torna-se tempo tangível sólido, sólida idéia de tempo.

O macaco curioso desperta de seu desmaio, mas não desperta completamente. Desperta para encontrar-se preso no interior de uma casa sólida, claustrofóbica, de apenas cinco janelas. Ele se aborrece, como se vivesse cativo num jardim zoológico por trás de barras de ferro, e procura explorar as barras, subindo e descendo por elas. O fato de haver sido capturado não tem muita importância; mas a idéia de captura é aumentada mil vezes em virtude do seu fascínio por ela. Quando estamos fascinados, o sentido da claustrofobia torna-se mais vívido, mais e mais agudo, porque começamos a explorar nosso aprisionamento. A fascinação, na verdade, é parte da razão porque ele permanece prisioneiro, capturado por ela.

No princípio, evidentemente, houve um súbito desmaio, que lhe confirmou a crença num mundo sólido. Mas agora, tendo aceitado a solidez como verdadeira, está preso na armadilha devido ao seu envolvimento nela.

É claro que o macaco não investiga o tempo todo. Começa a ficar agitado, começa a sentir que algo é muito repetitivo e desinteressante e torna-se neurótico. Ávido de entretenimento, busca sentir e apreciar a textura da parede, tentando certificar-se de que a aparente solidez é realmente sólida. A seguir, certo de que o espaço é sólido, o macaco passa a se relacionar com ele, agarrando-o, repelindo-o ou ignorando-o. Se tenta agarrar o espaço a fim de possuí-lo como sua própria experiência, sua própria descoberta, sua própria compreensão, isso é desejo. Ou, se o espaço lhe parece uma prisão, e ele tenta sair dela a murros e pontapés, lutando com vigor cada vez maior, isso é ódio. O ódio não é somente a mentalidade da destruição; mais do que isso, é uma sensação de defesa, de defesa de si mesmo contra a claustrofobia. O macaco não sente necessariamente que há um adversário ou inimigo se aproximando; ele simplesmente deseja fugir da prisão.

Finalmente, o macaco pode tentar não tomar conhecimento de que é prisioneiro ou de que existe algo de sedutor em seu ambiente. Age como se fosse surdo e mudo e, portanto, mostra-se indiferente e preguiçoso em relação ao que acontece ao seu redor. Isso é estupidez.

Retrocedendo um pouco, podemos dizer que o macaco nasceu em sua casa ao despertar do desmaio. Não sabe como chegou àquela prisão, por isso presume que sempre esteve lá, esquecido de que ele próprio solidificou o espaço em paredes. Depois, sente a textura das paredes, o que é o Segundo Skandha, Sensação. Depois, relaciona-se com a casa em termos de desejo, ódio e estupidez, o Terceiro Skandha, Percepção-ImpulsoDepois, tendo desenvolvido essas três maneiras de relacionar-se com a casa, o macaco se põe a rotulá-la e categorizá-la“Isto é uma janela. Este canto é agradável. Aquela parede me assusta e é má.” Desenvolve uma estrtura conceitual que lhe permite rotular, categorizar e avaliar a sua casa, o seu mundo, de acordo com o que sente por eles, se os deseja, se os odeia ou se lhes é indiferente. Esse é o Quarto Skandha, Conceito.

O desenvolvimento do macaco até o Quarto Skandha foi razoavelmente lógico e previsível. Mas o padrão de desenvolvimento começa a desagregar quando ele entra no Quinto Skandha, Consciência. O padrão torna-se irregular e imprevisível e o macaco começa a desvairar, a sonhar.

Quando falamos em “desvairo” ou “sonho”, queremos dizer que estamos dando às coisas e aos acontecimentos um valor que eles podem não ter. Possuímos opiniões já definidas sobre o modo como são e deveriam ser as coisas. Isso é projeção: projetamos a nossa versão das coisas sobre o que está ali. Assim, nos afundamos completamente num mundo de nossa própria criação, um mundo de valores e opiniões conflitantes. O desvario, nesse sentido, é uma interpretação errônea das coisas e dos eventos, que empresta ao mundo fenomenal significados que ele não tem.(...)

“Fundamentalmente, só existe o espaço aberto, o solo básico, o que realmente somos”

“ Nós somos esse espaço, nós “somos um” com ele, com a vidya, inteligência e abertura”

“Toda ação sem amor é como plantar uma árvore morta, mas tudo o que se relaciona com o amor é como plantar uma árvore viva”

“o Amor, o caminho aberto, está associado ao ‘que é’”

“Quando uma pessoa manifesta o verdadeiro Amor, não sabe se está sendo generosa para com os outros ou para consigo mesma, porque o Amor é uma generosidade ambiental, sem direção, sem “para mim” e sem “para eles”; é cheia de alegria, de uma alegria que existe espontaneamente, de uma alegria constante no sentido de confiança, no sentido de que a alegria contém uma enorme riqueza, um tesouro”


(Livro-texto: Além do materialismo Espiritual, Lama Chogyan Trungpa)


*Obs: SKANDHA (sânsc.; pāli KHANDA) - agregados que constituem a realidade; forma, sensação, percepção, vontade e consciência.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Ora...

Ora, e tudo será conforme tu orares. Após a oração, não procures a prova no mundo dos cinco sentidos, indagando se já está melhor, se a febre abaixou, se a dor passou, se a inflamação cedeu, etc. Quem vê os sintomas através dos sentidos e duvida da eficácia da oração não está acreditando em Deus, mas nos cinco sentidos. O teu desejo se realizou quando oraste. Entretanto, para ele se manifestar neste mundo das formas, necessita-se de um tempo maior ou menor, dependendo dos fatores e condições criados pela tua mente. (Taniguchi Masaharu, Palavras de Sabedoria)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Viver como os lírios do campo


Viver como os lírios do campo

Quero viver como os lírios do campo.
Ele não "trabalham nem fiam",
não têm ambição da glória.
Humildes e serenos são os lírios do campo.

Onde há ambição não haverá paz e harmonia,
ainda que seja a ambição de restabelecer
a paz no mundo.
Pensar que se pode obter paz através da ambição
é uma tolice tão grande quanto pescar no mato.

Já tive a grande ambição de tornar-me
um pregador da salvação do mundo.
Para tal, eu precisaria ter o meu nome
amplamente divulgado.
E isso envolve uma série de autopromoção, táticas,
expedientes e estratagemas.

Pesaroso, noto que até mesmo um certo pregador
que exalta a "vida de contrição",
a quem estimo e respeito,
parece esta sendo contaminado pela ambição.

Apesar de pregar a "vida de contrição"
e a "vida norteada pela humildade",
os textos de seu editorial, na primeira página
da revista por ele publicada,
são meras palavras de autopromoção

Aquele que é verdadeiramente humilde
vive o Caminho sem fazer alardes.
Os lírios do campo não pregam o Caminho
com atitudes altaneiras.
Eles vivem o Caminho, simplesmente.

O Caminho está ao alcance de todos.
Os lírios do campo vivem tranquilos
no lugar a eles concedido,
absorvem os nutrientes a eles oferecidos,
são belas flores no tom e no formato permitidos
e fenecem silenciosamente quando chega sua hora.

Os lírios do campo
não pensam em fugir do seu lugar,
nem em absorver outros nutrientes
além daqueles que lhe são destinados.
Fazem desabrochar suas flores,
na cor e no formato peculiares
e não pensam em fugir dos desígnios de Deus.
Isso é viver o Caminho.
Os lírios do campo vivem o caminho.

Os lírios do campo não têm a pretensão de salvar o mundo.
Eles simplesmente vivem o Caminho.
Se alguém lhes perguntar o Caminho,
eles nada dirão,
pois a resposta está no seu próprio viver.
Confesso, envergonhado,
que já tive a ambição
de tornar-me rico e poderoso
e promover grandes obras assistenciais
para salvar os pobres do mundo inteiro.

Para isso, queria ter muito dinheiro.
Passava noites em claro,
pensando num meio de obter dinheiro,
imaginando a vida miserável dos pobres
e a vida luxuosa dos ricos.

A comiseração para com os pobres
e a rejeição contra os ricos -
Que entendam a primeira como amor
e a segunda como ódio,
mas ambas são humanas paixões;
e neste sentido eram igualmente grilhões que me aprisionavam.

Onde há humanas paixões, não há paz.
Como pode alguém estabelecer a paz no mundo,
se não consegue alcançar sua própria paz?

- Eis por que muitas das revoluções sociais
não conseguiram alcançar seus objetivos.

Mas vejo, agora, o verdadeiro caminho da paz.
Os lírios do campo não pretendem angariar fundos
em prol do movimento de salvação do pobres.
Experimente apelar a eles:
"Irmãos, estou faminto; salvem-me!"
Certamente eles se limitarão a lhe oferecer
seus próprios bulbos, dizendo:
"Irmão, queira aceitar isto. É tudo o que tenho".

Eis o verdadeiro Caminho.
Eis a verdadeira paz.
Os lírios do campo não pregam o Caminho
nem têm a pretensão de distribuir dinheiro
para os pobres.
Eles se contentam em viver no lugar que lhes
foi destinado,
absorvendo os nutrientes que lhe são oferecidos.
Vivem segundo os desígnios de Deus,
sem recorrer a mentiras, estratégias e artimanhas.
Não pregam nem Mahayana nem Hinayanas.
Não têm a pretensão de fomentar a reforma social,
nem de tornar-se um pregador da salvação do mundo,
e vivem uma simples vida comum.
Seu próprio viver já é uma grande pregação.

Este é o verdadeiro Caminho.
É o Caminho a ser trilhado pelas pessoas
simples e comuns.
É o Caminho que qualquer um pode seguir
agora mesmo, bastando a ele querer.
O Caminho deve ser acessível a todos.
O viver singelo dos lírios do campo -
nele está o caminho a ser trilhado por nós.
Quero trilhar esse Caminho, a partir de agora.
Quero trilhar esse Caminho, a partir de agora.

Porém, eis que minha esposa me indaga:
"Mas não achas que, no palco deste mundo,
são necessários diversos tipos de personagens?
Se todos se tornarem lírios do campo,
que será deste mundo?
Não é verdade que o progresso do mundo
foi promovido por pessoas que não se
contentavam em ser lírios do campo?".

E eu respondo:
"Falas em progresso?
Pois estás iludida...
Quanto o mundo progrediu com ambições humanas?"

"Imponentes arranha-céus,
isso é progresso?
Belas roupas da moda,
isso é progresso?
Grande número de cientistas,
isso é progresso?
Admitindo-se que tudo isso seja progresso,
até que ponto os sofrimentos humanos diminuíram
desde o nascimento de Buda há três milênios?
"Quanto maior o progresso material,
mais aumentam as aflições do ser humano.
Já pensaste no porquê disso?
Digo-te, pois: é porque o progresso de que falas
baseia-se nas ambições humanas.
É preciso abandonar as ambições.
Só assim se alcança o verdadeiro progresso -
o progresso da alma -, em vez do progresso aparente.

"Disse que quero viver como os lírios do campo,
mas não disse que todos devem ser como os lírios
do campo.
O que quis dizer é que cada um seja autêntico,
seja como ele é.
É assim que se alcançam a paz e a tranquilidade."

Os lírios do campo não têm a pretensão de fazer
desabrochar rosas em seus ramos;
Eles produzem flores que lhes cabe produzir.
Não distorcem a Natureza.
Os lírios do campo não têm a pretensão de transformar
Seus bulbos em batatas;
Eles simplesmente produzem bulbos que lhes cabe produzir.
Não distorcem a natureza.

Falei dos lírios do campo.
Mas tudo o que disse aplica-se também a outras plantas e outros seres.
É natural que na roseira desabrochem rosas.
Quando a roseira vive plenamente sua própria vida,
assim como os lírios do campo vivem sua vida,
em seus ramos desabrocham naturalmente belas rosas.

Militantes da revolução social
e pregadores da salvação da humanidade,
se vocês são simples e sem ambição,
como os lírios ou as roseiras que florescem naturalmente,
e conseguem realizar com êxito a revolução ou a obra de salvação
Com naturalidade e humildade,
então vocês estarão vivendo a vida de que falei:
A vida simples, pura e autêntica,
Como a dos lírios do campo.
Masaharu Taniguchi, Seimei no Jisso volume 20

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Shinsokan e postura



Pergunta - Dizem que para praticar a Meditação Shinsokan é muito importante tomar a postura física correta, mas, se a postura mental estiver correta, a pessoa não poderia praticá-la mesmo deitada?


Taniguchi - Já expliquei sobre a postura na hora da Meditação Shinsokan e, como escrevi também no livro A Verdade da Vida, volume 8, Prática Contemplativa, não repetirei aqui. Mas a pessoa não deve negligenciar a postura só porque sente um pouco de dor nos pés. A postura física influencia a postura mental e vice-versa. Mesmo o aparelho de rádio não capta uma onda se mudarmos um pouco a posição do condensador variável, que é um dispositivo circular de metal que fica dentro do rádio, em local invisível. Ao praticar a Meditação Shinsokan também é preciso ficar em postura realmente correta.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Educação do Renascimento Página 141,142 e 143

                              Fukuda - Quando ouvi falar sobre a Educação pela Regestação, senti realmente que não havia outro método melhor do que esse.
“Posso ‘regestar’ meu filho, concebendo-o mentalmente como filho de Deus e refazer a educação fetal. Que verdade Maravilhosa!” pensei.
Fiz uma faixa abdominal, escrevi nela “Alma de Yoshihiro Fukuda”, enrolei na barriga para conscientizar de que ele foi concebido no meu ventre.
Estabeleci o dia 2 de dezembro como dia da concepção, e o dia 2 de outubro como data provável do nascimento. Todos os dias, conversava com o “filho que estava no ventre”, com semblante alegre e palavras carinhosas, irrigando-o com palavras da Verdade.
“... Como você deve ter buscado o amor dos pais... Desculpe-me, eu não percebi. Hoje, abraço-o fortemente e vou acariciá-lo. Lerei trechos da Chuva de Néctar da Verdade, não tanto para você, mas para aprofundar a minha conscientização...”
Todos os dia abençoei meu filho, concebido como filho de Deus.
Quando me vinha o pensamento “Meu filho está preso na penitenciária”, eu dizia “Não, isso é ilusão. O filho que está preso na penitenciária é a imagem falsa do meu filho, o falso filho, o filho fenomênico. O meu filho verdadeiro, o filho da Imagem Verdadeira (Jissô), o filho de Deus está aqui” e segurava firmemente o ventre para sentir tranqüilidade.
Assim, o tempo foi passando e, após nove meses, chegou o dia que eu havia determinado que seria o dia do nascimento do meu filho. Estava agitada, excitada. Nisso, ouvi um barulho na porta. Era meu filho que estava chegando, após ter sido perdoado. O advogado dele disse que foi um verdadeiro milagre, pois não seria possível voltar tão cedo para casa. Mas meu filho voltou para casa mesmo.
Kanuma – É uma história realmente comovente. Acredito que poucas pessoas sofreram tanto quanto a senhora por causa de um filho. Entretanto, a senhora nunca deixou de sorrir e sempre seguiu em frente, acreditando que ia melhorar. E assim passaram-se oito anos. Isso encoraja muito as pessoas que sofreram com filhos problemáticos.
O Mal não existe originariamente. Qualquer que seja o mal, o bem está por trás dele. Percebe-se que, quanto mais intenso o mal, mais bem está reservado, multiplicado por dezenas e centenas de vezes.
Com essa visão, o filho problemático da sra. Fukuda é mesmo um mensageiro de Deus, que veio para eliminar todos os males da família Fukuda, e de fazer da mãe uma grande orientadora, dando-lhe força para salvar muitas pessoas, fazendo-as renascer.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A Verdade da Vida volume 12 páginas 49 e 50




O Eu Verdadeiro é o ser real completo e perfeito, que não diminui nem aumenta em decorrência da satisfação dos sentidos. O eu que considera a satisfação dos sentidos uma conquista é o falso eu. É por isso que na Prajña-paramitá-sutra, que é uma escritura comum a todas as seitas do Budismo, está escrito que “Os cinco ‘skandha’ que constituem o corpo e os pensamentos do homem revertem-se ao nada”. Cinco skandha são cinco tipos de acúmulos que são: matéria, sensações, pensamentos, atos e consciência. Skandha é uma palavra sânscrita que significa acúmulo de vibrações (agregados). Portanto, cinco skandha significam cinco espécies de acúmulos resultantes de vibrações mentais. A matéria (corpo carnal) é um acúmulo de vibração mental; os cinco sentidos que captam a matéria também são acúmulos resultantes da vibração mental; pensamentos e atos decorrentes disso, bem como a consciência que as distingue são em última análise, diferentes efeitos de vibrações semelhantes a ondas de rádio. Tudo isso não tem existência real e está fadado a se extinguir. Quando compreende isso o homem se liberta de todos os sofrimentos, conforme está escrito na Prajña-paramitá-sutra. Essa sutra é por assim dizer, a condensação de toda a doutrina budista. Quando compreendemos que todas as coisas do mundo fenomênico bem como o próprio eu carnal que capta coisas fenomênicas são originariamente inexistentes, desfazem-se todos os apegos e, consequentemente, nossa mente torna-se livre e passamos a manifestar a nossa perfeita natureza original de Filho de Deus. Esse é o grande mérito da prática de Prajña-paramitá (ou seja, prática da meditação Shinsokan). Na referida sutra está escrito: “Vivendo-se em conformidade com Prajña-paramitá (sabedoria divina), desfazem-se os apegos, desfazendo-se os apegos, o homem supera o medo, afasta de si todas as atribulações e ilusões, e alcança a liberdade total”.
Durante mais de quarenta anos, Sakyamuni se empenhou em pregar o nada (a inexistência do fenômeno) e a anulação do eu. E, após passar todo esse tempo pregando a negação do eu fenomênico, do eu falso, finalmente revelou a existência do eu verdadeiro (Jissô) através da sutra do Nirvana.

sábado, 31 de outubro de 2009

JISSO TO GENSHO (Imagem Verdadeira e Fenômeno)

Página 61 – Nirvana (nehan) – Nirvana é o estado de pura paz, tranqüila, desligando-se da totalidade de sofrimentos e limitações. Mas não significa sono e paz. É o estado de paz absoluta e silenciosa, transcendendo todos os conflitos e limitações, um estado que nasce da autoconscientização da verdadeira Vida Nova, mas que é cheia de vitalidade e atividade. Para chegar ao estado de satori (libertação total), é preciso renegar frontalmente o eu centralizador e pleno de egoísmo. Negar o eu fenomênico e admitir, como primeiro passo, a ausência total do eu. Compreender que o eu que aparecia sob o manto carnal, materializado e fixo era falso, que assim aparecia apenas facilitar a vida cotidiana. Que, na verdade, o Eu verdadeiro é uma existência espiritual, esplendorosamente radiosa, imortal e indestrutível. Desligar-se dos sofrimentos do nascimento, velhice, doença e morte, e atingir o estado de liberdade total – isto é entrar no nirvana, ou nehan.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Seimei no Jisso volume 1, páginas 96 e 97

A Verdade vos libertará
Para se curar através da força da Vida, torna-se necessário saber o que é a Vida. Saber não apenas na camada superficial da mente, mas também nas camadas mais profundas. É muito simples dizer que “Vida significa filho de Deus”, mas poucas são as pessoas que conseguem compreender realmente essa Verdade. Quem chega a compreendê-la realmente, não só consegue curar a doença, como também melhorar as circunstâncias e o destino, ou melhor, nem chega a se curar, porque compreendendo de fato a Verdade, já estará curado. Referindo-se a isso, Jesus Cristo disse “Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará”, e Sakyamuni pregou: “Alcançando a Iluminação transcende-se a causalidade”. “Conhecer a Verdade” e “Alcançando a Iluminação” são, afinal, o mesmo que conhecer a Essência da Vida de cada um, ou seja, conhecer o JISSO (Imagem Verdadeira). E, ao consegui-lo, a pessoa transcende a causalidade e obtém a liberdade total. Transcendendo a causalidade, jamais terá a sua liberdade tolhida por causas materiais; não mais se preocupará com transmissão hereditária, ou com a compleição física, ou com o ar gelado, ou com a comida muito dura. E aí se manifestará a perfeição da essência da própria Vida, isto é, o “o homem verdadeiro”. Consequentemente, essa pessoa já estará curada da doença. 

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Seimei no Jisso(A Verdade da Vida) volume 1, página 68

"do nada surgem todos os fenômenos"
Vivemos utilizando-nos diariamente desse vazio, ou melhor, desse éter. No entento, pensamos não existir aquilo que não conseguimos ver, mesmo que exista de fato, e cremos existir aquilo que conseguimos ver, mesmo que originariamente inexista. Devido a essa crença errônea, o ser humano sofre pensando que existe o que não existe e se afoba achando que não existe o que existe. Assim, fica se debatendo, projetando na "tela da vida" um mundo de sofrimentos criado pela sua mente. Foi por esse motivo que comecei a explanar esse assunto, desejando salvar a humanidade desses sofrimentos. Para entenderem melhor, vou citar um exemplo bem familiar: temos aqui o ar, mas sua existência não é perceptível através dos nossos cinco sentidos. Por isso temos muita dificuldade de explicar a existência do ar para uma criança pequena. Mesmo que digamos a ela para encher os pulmões de ar, dificilmente entenderá como proceder. No entanto, se lhe falarmos do vento, ela conseguirá entender. Não é fácil compreender a existência do ar em si, mas qualquer pessoa sente o vento, o qual é o ar em vibração. A vibração é o fator indispensável para que uma existência verdadeira – o nada – tome forma e se manifeste como elemento sensível. A partir desse fato, pode-se também compreender a Verdade por nós pregada de que a atividade criadora se desenvolve através da vibração(ritmo ou palavra).